Glossário de Nutrição Comportamental

Os termos que aparecem na consulta e nos textos daqui, explicados sem jargão.

Alguns termos desta área carregam significado diferente do uso comum, e outros são confundidos entre si com frequência. Esta página existe para tirar a dúvida no meio da leitura, sem precisar procurar fora.

Nutrição Comportamental

Abordagem da nutrição que trabalha o comportamento alimentar em vez de prescrever dietas restritivas. O planejamento parte do objetivo, dos hábitos e da rotina de cada pessoa, e considera que sentimentos e emoções em relação à comida importam tanto quanto nutrientes. Como ela funciona na prática.

Mindful eating

Comer com atenção plena: perceber o que se come, como se come e o que o corpo sinaliza, em vez de comer no automático. Não é técnica de restrição nem método de emagrecimento, e devolve a percepção de fome e saciedade que a distração apaga. Cinco exercícios para praticar.

Fome física

A fome fisiológica. Chega gradualmente, é sentida no corpo, aceita qualquer alimento e tem um ponto de parada perceptível. Comer por fome física não vem acompanhado de culpa.

Fome emocional

Vontade de comer que nasce de uma emoção, e não do estômago. Chega de repente, aparece como pensamento repetitivo, pede um alimento específico e não sacia, porque o que a gerou não foi falta de comida. Como diferenciar uma da outra.

Fome hedônica

Vontade de comer motivada pelo prazer e não pela necessidade de energia. É despertada por sabor, cheiro, memória afetiva ou pela simples disponibilidade do alimento. Não é um defeito: faz parte da relação humana normal com a comida, e o trabalho não é eliminá-la, é reconhecê-la.

Efeito sanfona

O ciclo de perder peso e recuperá-lo pouco depois, repetidas vezes. Acontece quando o método usado para emagrecer é temporário: terminado o período de restrição, o comportamento anterior continua intacto e o peso acompanha. Por que ele acontece e como interromper.

Ciclo restrição e compulsão

Sequência que se repete em quatro etapas: a decisão de restringir, o período de controle, a quebra e a culpa, que empurra de volta para a decisão de restringir. A quebra não é o fracasso do plano, e sim uma consequência previsível da etapa anterior. Por que as dietas falham.

Comer intuitivo

Modo de se alimentar guiado pelos próprios sinais internos de fome, saciedade e satisfação, sem regras externas sobre o que ou quanto comer. É um destino do processo, e não um ponto de partida: depende de reconstruir a confiança nesses sinais, que costuma estar desgastada em quem passou por muitas dietas.

Comportamento alimentar

O conjunto de escolhas, hábitos, horários, contextos e emoções que cercam o ato de comer. É o objeto de trabalho da Nutrição Comportamental, e o que diferencia essa abordagem de um cardápio prescrito.

Plano alimentar

Orientação nutricional individualizada, elaborada por nutricionista a partir do objetivo, da rotina e das preferências da pessoa. Diferente de uma dieta pronta, ele se ajusta conforme as metas vão sendo atingidas. Como ele é montado aqui.

Meta comportamental

Meta definida sobre uma ação que se repete, e não sobre um número. "Almoçar sentada e sem tela" é uma meta comportamental; "chegar a um peso específico" não é, porque termina no dia em que é atingida, e não deixa nada no lugar.

Crença limitante

Ideia sobre si mesma que trava o processo antes dele começar, do tipo "eu não tenho força de vontade" ou "eu sempre desisto". Enquanto não é desmontada, ela sabota qualquer método, por melhor que ele seja.

Saciedade

Sensação de que a refeição foi suficiente. Ela não é instantânea: leva tempo para se estabelecer e ser percebida, e por isso comer rápido faz o prato terminar antes de o sinal chegar. É o que sustenta o intervalo até a refeição seguinte.

Terrorismo nutricional

Comunicação que usa medo, culpa ou alarme para orientar escolhas alimentares, classificando alimentos como venenos ou vilões. Costuma gerar mais restrição e mais compulsão, e não é prática recomendada.

CRN

Conselho Regional de Nutricionistas, órgão que registra e fiscaliza a profissão. No Rio Grande do Sul é o CRN-2. Só profissional com registro ativo pode prescrever plano alimentar, e a consulta ao registro é pública. O meu é o CRN2 8394.

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